Um dos melhores veículos lançados no ano chega com tudo novo e se torna objeto de desejo para quem gosta de conforto e qualidade

Texto: Eduardo Abbas
Fotos: Toyota

A história que começou no emblemático ano de 1968 atravessou décadas e entrou em no novo milênio cada vez mais real e impressionantemente forte. A criação dos engenheiros japoneses, quando projetaram um carro de trabalho forte, robusto e que não se apaixonava pelo primeiro mecânico que visitava, fizeram valer a fama dos orientais em aperfeiçoar com grande competência tudo aquilo que foi criado para ajudar o homem em sua estadia na terra.


Nem terminamos de construir a nossa geração e a Toyota já apresenta a 8ª da Hilux, um carro completamente novo desde seu chassi até a maçaneta da porta. Ele tem um design totalmente renovado e muito mais bonito, mais equipamentos, é ótima para dirigir, têm novo motor, transmissão, chassi mais resistente e é mais segura.


A frase “mais forte do que podemos imaginar” define o novo modelo, por esse motivo eu fui um dos convidados para conhecer e testar a nova Hilux, que já era sucesso em suas versões anteriores, e que deve agradar muito quem gosta deste tipo de fora-de-estrada-carro-de-passeio. O evento aconteceu na cidade Argentina de Mendoza, próxima à Cordilheira dos Andes e repleta das mais importantes vinícolas da America Latina.


Para a montadora foi um grande desafio apresentar um novo modelo, afinal ela tem a expressiva marca de 16 milhões de unidades vendidas em 180 países e é objeto de desejo de muita gente, inclusive de quem torce o nariz para picapes. É um carro muito bonito, a nova dianteira tem um grande pára-choque e grade frontal estreita, pára-lamas largos, a entrada de ar do intercooler que ficava em cima do capô foi eliminada e deu lugar a vincos, faróis de LED com projetor e ajuste automático de altura, além de luzes diurnas de LED e faróis de neblina que completam a dianteira.


A versão SRX é equipada rodas de liga leve de 18 polegadas e com pneus 265/60R18, enquanto as versões SRV e SR trazem rodas de liga leve de 17 polegadas e pneus 265/65R17. As outras possuem rodas de ferro de 17 polegadas, com pneus 225/70R17. As versões SR, SRV e SRX contam com a maçaneta de abertura da tampa traseira cromada, onde também está localizada a câmera de ré.


O investimento no desenvolvimento foi alto (a montadora não revela o quanto, mas barato não foi!) e o resultado final surpreendeu positivamente quem achava que o carro passaria por um face lift com alguns equipamentos a mais. Ledo engano, a nova Hilux foi testada em cenários extremamente exigentes em todo o mundo, claro que a idéia era torná-la superior à anterior em todos os aspectos, principalmente em seu ponto chave, a Força.


Evidente que não se trata de um episódio da saga Star Wars, mas a Força é um elemento muito importante na categoria em que o veículo está inserido. Comparada à geração anterior, a nova Hilux é 7 cm maior (5.330 mm), 2 cm mais larga (1.855 mm) e 4,5 cm mais baixa (1.815 mm). O entreeixos permanece com 3.085 mm, o compartimento de carga nas versões de cabine dupla está 0,5 cm maior (1.525 mm), 2,5 cm mais largo (1.540 mm) e 3 cm mais alto (480 mm).


O novo chassi foi enrijecido em 20%, usa materiais de alta resistência e teve, em algumas partes específicas, incremento de 3 mm em sua espessura, os pivôs da suspensão também foram reforçados, o que elevaram a rigidez da nova Hilux, bem como sua durabilidade nas condições mais extremas, isso porque os pontos de solda aumentaram em 44% e ela utiliza aço de alta resistência com propriedades anticorrosão, oferecendo mais resistência aos impactos e diminuindo o risco de quebra ou dano.


Com um chassi e uma carroceria desse porte, nada melhor que ter um motor e um sistema de transmissão que agüente esta pedreira. O novo motor é turbo diesel com intercooler, da recém-lançada série Global Diesel (GD). O Toyota 1GD 2.8L é um quatro cilindros em linha com turbo compressor de geometria variável (TGV) e intercooler. Ué, o outro não era maior? Sim, este tem 200 cilindradas a menos que o da geração anterior, mas a evolução melhorou o nível de consumo e desempenho, já que tem 6cv a mais (177 cv a 3.400 rpm) de potência, o torque aumentou 22% com transmissão manual (42.8 kgfm entre 1.400 e 2.600 rpm) e 25% com transmissão automática (45.9 kgfm entre 1.600 e 2.400 rpm).


Juntaram-se a esta usina de força (olha a Força aí outra vez!) duas novas transmissões: a automática de seis velocidades, desenvolvida para potencializar o desempenho do motor, usa a tecnologia Super ECT e adéqua o desempenho do veículo ao estilo de condução: Normal, ECO Mode e Power Mode.


Também foi apresentada a nova transmissão manual de seis velocidades, apropriada ao uso no trabalho mais pesado, o resultado é que as duas melhoraram a capacidade de reboque, agora a Hilux pode suportar até 3,5 toneladas.


Hora de testar o novo modelo nas condições de on - road e off - road, em estradas de terra, asfalto, subidas esburacadas, descidas íngremes e toda sorte de obstáculos que existem no pequeno trecho de deserto perto dos Andes.


A jornada se inicia logo no impacto que o carro oferece com acabamento e refinamento em seu interior. Desde a versão de entrada, a nova Hilux conta com direção hidráulica progressiva, ar-condicionado, coluna de direção com regulagem de altura e profundidade, medidor de economia de combustível, aviso sonoro de chave na ignição e luzes acesas, limpador do pára-brisa com temporizador e nivelador dos faróis.


Nas versões superiores encontramos vidros com antiesmagamento, travas e retrovisores elétricos, Smart Entry System, botão Push Start, volante com funções do áudio, telefone e comandos de voz, display colorido de 4,2”, tela touchscreen de 7”, com DVD, MP3, entrada auxiliar de vídeo e seis alto-falantes, câmera de ré, navegador GPS e TV digital, ar-condicionado automático digital e uma inovação: uma tomada de 220 v, que pode ser usada para carregar aparelhos eletrônicos.


Usando um modelo automático, encaramos uma estrada de terra batida, com alguns buracos e curvas suaves. O bom desempenho do motor, as rápidas trocas de marchas aliadas ao novo conjunto da suspensão, transmitem ao motorista e passageiros a sensação de estar em um carro de passeio, as imperfeições do piso praticamente não são sentidas, mesmo em velocidades mais altas, para os ocupantes.


Já no piso de asfalto, dá pra notar claramente que se trata de um automóvel muito bom, quase um sedã no desempenho e na agilidade. Em uma breve esticada na rodovia, pude sentir que a resposta do conjunto motor-câmbio é rápida, segura e que a velocidade não encontra limite se assim for o desejo, no caso, o velocímetro torna-se muito conservador para o que a Hilux oferece de velocidade final.


Na segunda parte do teste, o desafio era encarar um pequeno trecho off - road com um modelo mecânico e simulando uma situação de velocidade muito encontrada em ralis. Com curvas fechadas, retas curtas, trechos com o piso irregular, mantendo uma velocidade constante de 80 km/h, pude sentir todo o trabalho firme da suspensão, o controle de tração age com muita rapidez e competência, e em nenhum momento foi necessária uma intervenção mais dura no volante, guiar nestas condições não necessitou de nenhuma habilidade específica, o carro “gruda” mesmo na terra ou em trechos molhados.


Tudo isso tem uma ajuda eletrônica importante, o controle de tração ativo (A-TRC), que previne saídas laterais, aplicando pressão automática nos freios de qualquer roda que esta perdendo aderência em conjunto com o controle de tração (TRC) e o controle de estabilidade (VSC) garantem realmente o carro na mão o tempo todo.


Na terceira e última etapa, o desafio era encarar um morro para subida e descida. Para subir, mesmo com crateras enormes no caminho, a tração 4X4 não se acovarda, a distribuição nas quatro rodas é muito bem realizada graças ao assistente de partida em rampas (HAC) que aciona os freios na posição de parada, podendo seguir sempre daquele ponto para frente. Claro que existe o desconforto da movimentação quase que total da cabine como se fosse uma montanha russa, mas a transposição do obstáculo foi feita com a maior tranqüilidade.


Para baixo, o assistente de controle de descida (DAC) é o mais eficiente auxiliar, pois em casos de declives muito íngremes não é necessário usar o freio muito menos o acelerador, o carro faz tudo sozinho, o único trabalho é manter o carro alinhado na trilha escolhida, é o máximo!


A nova Hilux será vendida apenas com motor Diesel, o motor Flex deve chegar ao mercado no segundo semestre de 2016, têm seis versões de acabamento e chega às concessionárias da Toyota no dia 18 de novembro, dá tempo de agendar um test-drive, optar por uma das 10 cores da paleta e ser muito feliz com essa quase cinqüentona, que além de fazer muito carro jovem parecer velho, carrega no sobrenome a garantia de origem. Como não sonhar acordado?


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